O fruto de tudo o que se fala em púlpitos, retiros e “encontrões” é o silêncio, a mentira e pessoas se escondendo. Eu entendo ter medo de ser visto, eu ainda tenho muito. Mas do jeito que as coisas são feitas e ditas, geram nas pessoas a necessidade de se esconderem ainda mais em si mesmas. Só que isso aponta para uma direção completamente contrária a de Cristo.
Ao olhar para os registros na Bíblia é possível comprovar que onde Jesus pisa não há espaço para a mentira e cultivo de coisas ocultas. Toda escuridão se dissipa onde Ele está. Ele traz absolutamente tudo à tona.
Uma espada sai da boca de Jesus e é cravada no nosso peito, dividindo alma e espírito, apta para julgar cada pensamento e intenção do coração (Hebreus 4:12).
Se nada fica oculto quando Ele está presente, podemos afirmar que em toda igreja, toda família, todo relacionamento, onde não há espaço para as pessoas serem honestas sobre quem são, o que sentem e o que fazem, serve ao diabo?
Certamente não percebem que tanto a “igreja” quanto o “mundo”, como gostam de chamar, são o mesmo lado de uma moeda. Ambos alimentam com mentiras o coração dos seus membros. Ambos os lados criam grupos com base nos próprios interesses e se chamam de “família”. Um laço familiar tão fraco, que basta uma discordância para tudo se romper e virar Casos de Família. Não há diferença entre os frequentadores de instituições religiosas monoteístas e politeístas. Em um lado não há espaço e preparo para a revelação crua de quem somos e de outro lado, temos o acolhimento dessa expressão de si mesmo ocultando a consequência.
Essa revelação de quem somos vem junto com a revelação das consequências escondidas, seja na minha vida ou na vida do outro, apontando para o objetivo central que é me ensinar a viver para o outro.
Aprendi que somos todos muito parecidos, pois o pecado que habita em nós não é criativo. Então saiba que o que Ele revela para nós individualmente também nos torna capazes de enxergar esse mesmo mal no outro. Por isso tenho me forçado a ter coragem de deixar que vejam o que eu gostaria de esconder, pois é muito fácil escolher falar somente o que eu quero mostrar.
Eu temo a retaliação e ainda tenho vergonha de algumas coisas. Só que quando eu ouvi da minha amiga “Então não sou só eu?”, eu senti uma dor no coração e lembrei do sentimento de alívio de quando pude verbalizar coisas que ocultei por tanto tempo.

