Existem coisas que teimamos em achar que conseguimos fazer, mas que não conseguimos. A primeira coisa é se arrepender verdadeiramente de algo, a segunda é se importar genuinamente com o outro.
Eu somente me arrependo de algo quando vejo o estrago que determinada ação causa na minha vida ou na vida de alguém querido por mim. Existe o remorso e a tristeza, mas o arrependimento é algo pontual e transformador. É o arrependimento que nos faz mudar de direção, escolher coisas melhores e olhar para os outros a nossa volta.
Eu tive que orar por arrependimento. A consciência dos meus pecados e comportamentos destrutivos não eram suficientes para que eu me arrependesse deles e os abandonasse.
Ter sido orientado a não fazer algo nunca impediu o ser humano de pecar ou tomar decisões ruins. (Genesis 2:17)
Em uma roda de conversa recente, uma mulher comentou que se espantou com um diálogo que teve com uma conhecida. Segundo ela, a pessoa com a qual ela conversava disse que não faz nada na vida dela que não a beneficie. Entendo o choque inicial, no entanto, absolutamente todos nós somos assim, mesmo você que luta internamente para não ser.
Eu não consigo não pensar em mim. Eu não consigo não colocar os meus sentimentos, vontades e crenças de lado. Naturalmente quero estar somente onde me sinto segura, eu escolho quem defender e quem condenar. Me preocupo com o que pensam, com o que vão falar, em como serei interpretada. Faço tudo ser unicamente sobre mim, enquanto os outros caminham em direção ao sofrimento e morte. Me calo diante da mentira, falo além da conta quando deveria me calar.
A consciência disso tudo nunca foi suficiente para que eu desejasse agir diferente. Embora enxergar o meu coração como ele de fato é tenha me causado tristeza, remorso e vergonha, não foi suficiente para me fazer largar o osso.
Então eu tive que pedir ajuda, e Ele me ouviu. (Romanos 2:4/Romanos 10:13)
Eu não fui nada nobre na minha oração. Eu falei que reconhecia a necessidade de deixar de ser assim, mas que não era uma vontade minha, ao menos não ainda. Mas que, por reconhecer a necessidade, estava pedindo por ajuda e confiando de verdade que Ele mudaria algo dentro de mim.
Em resposta a minha oração, Ele revelou mais um pedaço do meu coração, expondo pensamentos, desejos e sentimentos que eu mantive no escuro por toda minha existência até então. Ele removeu os lençóis, ergueu os tapetes, abriu as cortinas e deixou a luz expor toda a poeira, toda a sujeira. Como se não fosse dolorosamente suficiente, Ele ainda me mostrou os motivos por trás do que eu fazia. Todas as justificativas se mostraram desculpas fracas demais, eu precisei reconhecer que sabia muito bem o que eu estava fazendo, escolhendo e correndo atrás. Eu estava sóbria quando escolhi me embriagar de mim mesma. Eu menti conscientemente. Eu arquitetei tudo para conseguir o que eu queria. O que eu acreditava não ter escolhido, era mentira também.
Com isso latejando no meu coração, eu vi a dor e a destruição que viver para mim mesma causa no outro e na minha própria vida. Pois as pessoas não são descartáveis e sem valor, parece algo óbvio de se dizer, mas a minha vida toda eu as tratei de forma indiferente.
Com todas essas coisas expostas, olho para trás e apenas dou risada da minha cegueira por achar que falar palavrão com meus amigos e querer beijar meninas era o maior dos meus problemas.
Eu ainda sou eu, minhas vontades continuam e provavelmente será assim até eu morrer. Só que hoje sinto uma força diferente em mim e que me ajuda a escolher melhor, abrir mão de algo em prol do outro. E a parte boa é perceber que o que está sendo forjado em meu coração não é baseado no medo, então assim, um dia serei muito livre.
Se me falta algo, sei que posso pedir para ele. (Mateus 7:7)

