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7 de janeiro de 2026 por Maria Eduarda Trelha

uau! então é isso

uau! então é isso
7 de janeiro de 2026 por Maria Eduarda Trelha

Quando eu me enxerguei pela primeira vez, achei que aquilo que eu estava vendo não me definia como pessoa. Eu estava enganada. Talvez enganada não seja bem a palavra certa, mas eu estava sem enxergar nitidamente, ainda vendo apenas a ponta do iceberg. Dessa vez, diferente das outras vezes, uma voz no meu peito disse “é isso o que você é sozinha”. Não gostei.

Sinto que cavei fundo demais agora, não tenho forças em mim capaz de me fazer voltar. Mas voltar para onde? Onde eu estava também não era bom. É esquisito pensar ou tentar colocar em palavras, pois parece que sempre estou presa na ilusão do momento. Para onde vou eu, quando tudo o que meus olhos enxergam é meu próprio umbigo?

Eu confesso que tenho muito medo de quem eu sou quando estou sozinha. Entendo melhor o potencial autodestrutivo da humanidade quando afastada de Deus. Todos caminham olhando para a própria barriga, tropeçando nos próprios pés e sufocados pela própria angústia que foi tecida pelas próprias mãos. Diante disso, estou entendendo (e sofrendo) melhor a consequência de não dar ouvidos ao que tem sido anunciado.

Não é somente não viver para si mesmo. Se eu não vivo para mim, para quem então eu tenho que viver? Seja mais específico. A igreja falar muito sobre “Viver para Cristo”, mas ainda me soa muito distante do prático. Entendi de forma mais palpável que o não viver para si e o viver para Cristo pode ser resumido em viver para o outro. É mais prático, levanta a minha cabeça e redireciona os meus olhos para algo além de mim.

Olhando para meu próprio rosto vejo manchas que fazem parte de mim, que estão impregnadas e que não são meros defeitos ou características ruins. É algo que eu sou e que provavelmente morrerei sendo, impossível de me desvincular. A questão é se terei forças para não ser assim, ou melhor, não agir como sou.

Parece que não tem saída dessa sentença. Eu sinto que estou mentido toda vez que oro pedindo ajuda. No fundo do meu coração, eu não quero parar de viver para mim, como que orarei pedindo pelo contrário? Parece que estou mentido. Eu mentia antes, eu falava muitas coisas que não significavam algo verdadeiro. Hoje desconfio que eu tenha de fato me arrependido. Eu sei algumas coisas, mas só saber também não significa algo.

Por outro lado também sei que não adianta ficar olhando para essa miserável situação e se lamentar. Até o meu lamento é repugnante para os meus ouvidos, pois sei que parte da dor de um ego ferido, um coração que não suporta ouvir um não, um rosto que detesta ser desmascarado.

Será que há algo honesto dentro de mim?

De onde eu vim parece que fui ensinada sobre coisas que são toleráveis e sobre coisas que não são toleráveis. O conceito de arrependimento também girava ao redor daquilo que era considerado moralmente aceito. Agora, um pouco mais velha, percebo que tudo o que eu faço parte daquilo que aprendi. Em outras palavras, o limite da minha maldade é medida a partir do que é tolerável. Resta saber para quem. Se eu usar a igreja como medida, usar alguém por sexo e acordar na sarjeta caem na lista de coisas não toleráveis. Agora, usar os filhos para validação pessoal e fazer do culto um espetáculo para si mesmo são coisas toleráveis.

Partindo do ponto de que eu não faço o que alimento em meu peito por medo, passei a fazer. Fiz deliberadamente, mesmo com medo. Acredito que não preciso listar meu top 3 coisas intoleráveis que fiz esse ano, pois não é esse o foco.

Calculando a rota e as possíveis consequências, como sempre, achei que poderia sustentar as minhas merdas, mas eu não sou assim. Eu não consigo olhar para trás e me arrepender exatamente das coisas que fiz, apenas olho para trás e penso que mais uma vez não valeu a pena. Mas eu me arrependo das minhas escolhas pois todas que eu fiz foi ignorando totalmente o outro da equação.

Mas não foi assim a vida inteira? Sim! Foi assim a minha vida inteira, por qual motivo a tristeza de agora? Me pesa o coração a realidade em que eu me encontro, não digo de maldade, pois essa não me é novidade. A realidade diante de mim é que realmente não existe vida senão a vida que é vivida para o outro. A coragem não está em fazer o que eu quero, mas está em deixar de fazer, pois vai ferir o outro.

Diante dessa verdade, acredito que a única escolha que preciso fazer seja entre EU ou o OUTRO. Li isso três anos atrás no Fé Eficiente, mas acho que entendi só agora.

Eu não tenho força em mim para fazer isso, muito menos uma vontade genuína. Também me percebo sem muito filtro ou limites, da putaria ao vício, se Ele me soltar eu realmente me afogo.

[Recentemente orei pedindo duas coisas: que Deus livre os outros de mim e de minha amargura; que Deus me livre de mim mesma.]

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